Pneumonia: uma doença que mata!

No Dia Mundial da Pneumonia, 12 de novembro, Iara, uma amiga minha, me ligou e disse que dona Laura (nomes fictícios), sua mãe, de 70 anos, portadora de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), estava gripada, com muita tosse, falta de ar, dor no peito, febre alta e fraqueza geral, havia três dias. Perguntou-me o que deveria fazer.

Três horas depois, foi atendida e perguntada se havia alguém gripado em casa e se ela havia tomado a vacina contra gripe neste ano.   Ela respondeu que havia gripados em casa e que nunca havia se vacinado contra gripe, porque tinha medo da vacina e também porque não acreditava que evitasse essas doenças.


O diagnóstico clínico de pneumonia foi estabelecido e a medicação foi instituída. Entretanto, como o estado da paciente estava grave, foi indicada hospitalização. Apesar de dona Laura ter recebido cuidados imediatos e intensivos, ela não resistiu e veio a óbito.
Soube-se que ela costumava usar antibióticos de modo irregular e com muita frequência. Não os usava pelo tempo e doses prescritos, pois também tinha medo de tomá-los e reduzia as doses por conta própria. Guardava as sobras para usá-las quando gripasse de novo.

A criação desse dia pela Organização Mundial da Saúde foi para advertir sobre fatos que facilitam a ocorrência de pneumonia, lembrando que essa doença atinge principalmente os idosos e as crianças abaixo de cinco anos, faixas etárias em que o sistema imunológico de defesa encontra-se menos ativo; estimular o uso da vacina da gripe, que reduziu desde 1998, quando se iniciou o seu uso no Brasil para os idosos até 2015, em 45% as internações e em 75% as mortes por complicações da gripe, principalmente por pneumonia.

Em 2015, mais de 47 milhões de brasileiros idosos tomaram a vacina (Datasus – vacinação) e, portanto, estão protegidos contra a gripe em 80% das chances de pegá-la; recomenda também a vacina antipneumocócica, que funciona contra a pneumonia e é adotada para crianças desde os seis meses de idade; entretanto, ainda não está amplamente disponível para adultos e idosos no SUS.

Muitos fatores preveníveis podem ter contribuído para a evolução tórpida da pneumonia de dona Laura: a idade, ser portadora de doença crônica, não ter tomado vacina contra gripe ou pneumonia e ter feito uso irregular de antibióticos.

A pneumonia é evitável por vacinas antigripais e antipneumocócicas, bem como recomenda-se: uso rigorosamente correto dos antibióticos, cuja orientação está na RDC nº 20/2011 da Anvisa, evitando assim que as bactérias fiquem resistentes a esses medicamentos; adoção de medidas simples de higiene ambiental e corporal – lavar as mãos quando necessário, ter dentes bem cuidados , alimentar-se e ter estilo de vida saudáveis, evitando alcoolismo e tabagismo, além de manter as doenças crônicas sob controle.

DraMarciaDra. Márcia Alcantara Holanda
Médica Pneumologista
Coordenadora da Comissão de Asma da SCPT
E-mail: pulmocentermar@gmail.com

03 Dezembro 2015 – Fonte: O povo

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